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A caminho na rã azul



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Mensagens populares deste blogue

As bandeiras (é sobre passar de noite por locais desertos ou não)

é como a ausência de bandeiras só cordas estendidas e água o pêndulo do frio subitamente iluminado como se um ganso pousasse ou este rapaz trouxesse um objecto em fogo, é a língua a cor é finalmente a pedra e o vidro é por excelência hipocrisia e imitação da realidade viver na rua é conhecer o nome às pessoas pelo seu andar anotar os seus hábitos com desdém pelo dobrar dos sinos a cidade inteira é um desastre que se impede quando pronunciamos as palavras interditas: qualquer vontade que tenhas meu irmão os teus sonhos que sobressaem ao longo das noites frente ao copo de cerveja o fumo a brasa ainda próxima das faces dos amigos da tua própria àquilo que desejas ligar, suster de uma armação invisível e amorosa por dentro de uma caixa fechada que se chama escultura de ti próprio uma imagem espelhada ou alma dos pássaros em volta chega-se uma estrada que passa pelo ridículo e outro lugar qualquer senta-te comigo veste-te de pirata e escuta os metais nos telhados, a matéria a rasgar-se e a...

Rue de Lombard com a Stoofstrasse

os dias podem entrar na porta de casa como uma escada que se usa sem um fim específico por exemplo levantar asa de um pássaro, macerar um boião de carmim ou brindar a minha rua vista de outra cidade é um vaso só mas quando a desço há o cheiro a basílico nesse vaso e quando a desço há o ninho do melro os homens entram em casas e voam há os que trazem o jornal ou sono e os que falam junto aos cotovelos das mulheres fazendo-lhes cócegas no cruzamento em que me encontro rue de Lombard com a Stoofstrasse uma mulher fuma enquanto olha o terceiro andar e uma varanda coberta de luz a sua pele é branca e a forma como pensa é branca e veste de verde e a luz verte em redor da varanda o negrume do tijolo envelhecido e a calçada pontuada de beatas, cerveja e vestígios de amendoim enquanto a fila de peões atravessa a rua o fumo mesclou-se com uma outra varanda e a oportunidade passou há jogadas em que somos voluntariamente subservientes de uma ideia politeísta da natureza dos animais e do amor trans...

Fala

eu ouço dos aviões o chamamento das árvores como se fosse uma criança perdida num jardim a dançar e a dizer: "vou para casa" onde chego não encontro para além de círculos desenhados nas toalhas de mesa e o cheiro da cera vermelha quando dou a mão, falo com a mão quando te olho digo coisas mas por dentro como peixes e quando grito eu sou o cimo de uma montanha a passagem este instante eu prefiro inequivocamente os aviões aos pássaros eu prefiro correr atrás de uma bola que atrás de pássaros negar é uma tarde de sol a escrever num quarto uma tarde sol negar é dizer o que se vive de um mundo paralelo mas há fontes onde é impossível omitir peixes e cristais que se intersectam como mãos tingidas a cantar um trava-línguas o quotidiano é construído das margens onde os homens se abraçam carregados de instintos nas vozes há pontes sempre existiram durante curtos períodos que a torrente dilui ou simplesmente o tempo faz sobrepôr outra construção há ciclos na vida eu não os conheço mas ...