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Mensagens

A mostrar mensagens de setembro, 2007

Crise de identidade

um homem desce a estrada com os seus cães vadios sabe que a sua vida é completa assim quando o fim de tarde levanta as árvores inclinadas no ar e no ladrar há liberdade, bicicletas e mãos a apertarem-nos peito a peito e diz ao amigo como é bom fazer o caminho ao seu lado sem carpideiras atrás e falar das coisas simples da vida como se escrevesse ininterruptamente ao ritmo da fala e tivesse um tambor na garganta onde um a um tocassem momentos felizes trazidos pela brisa ou memórias por inventar num futuro próximo ou não os amores, as despedidas também mas as noites em campo com lama na cara a guitarra um homem desce essa estrada não vai só jamais até ser parado no posto de controlo frente ao inquestionável absoluto à mão cerrada que cede a uma dor da idade ainda por descobrir e é ilegal continuar a descer esta estrada quando descobre o que navega num gemido encostado a uma parede como uma cobra só, um destroço um homem desce a estrada ouvindo o amigo e brinca com a sua matilha a um espa...

As dúvidas

o que é um dia senão numa colher equilibrar o pressentimento da falta de espaço frente ao mar por isso não procuro por detrás de uma árvore da mesma forma que me sento com as crianças ou me deixo enrolar de raízes à chuva e sentir a nuvem ínfima sobre o deserto como uma agulha ou uma queimadura por quanto te debruças sobre as palavras ditas e a infinidade de mecanismos a desafinarem um uníssono agora pelo que conheces da vida nas ruas e das marcas que te deixam nos braços os cavalos e o atracar dos grandes navios fantasma porque tudo se concentra num momento só aqui frente aos armazéns da foz numa carta abandonada sobre uma mesa de café e sim, inevitavelmente da mesma forma que se deve correr sem alma sobre um prado ou sobre um areal luminoso para se abandonar depois intensamente nas ruas noite dentro encontras esse absoluto num trilho que se afunda num medo abandonado na tua infância e assim como tu eu vou ou não reencontrá-lo por agora espero isto é sentado no muro lanço uma a uma as...

fui

o barco que me bolina a conversa por terminar na estação avança nos cantos de panfletos improvisámos números pressas e alguns esboços por secar recados a vulso que podiam ser apenas pássaros espantados a sobrevoar o campo fugindo da caverna ou uma alegoria de inverno menos inocente olho as cadeiras onde dormem, folheiam uma vida que não é deles aqui os transeuntes as ondas de um lugar longínquo onde os braços se salgam as cabeças encostadas numa boleia que dá pouca conversa até chegarmos onde no meio ao sol um espantalho segura pincéis que pingam e desvia arbitrariamente as nossas atenções porque quando me virei a primeira vez estavas lá segurando a corda e quando nos procurámos depois a multidão esta dispersa por lugares vazios respirando instantes ausentes uma outra sala um dia que espera um outro dia sem valer a pena mencioná-lo o que conta é o ar por quanto tempo não sei e o barco quer bem e avança