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Mensagens

A mostrar mensagens de junho, 2007

June (68)

foi assim que cheguei à costa onde as baleias engolem os amigos para os sentirem por dentro a fazer cócegas em azul e a pintar nas paredes o seu entender das coisas a carvão seria isso o que desejaríamos para um dia sermos mais que um relógio a mergulhar e no regresso a remexer dunas como folhas perenes é uma opinião eu cresço para as aves de rapina e para estes dias debaixo dos cotovelos soprando a espuma da cerveja se queres saber não há como não ouvir vida fora sou um amolador a subir a calçada de Carriche ao fim do dia e passo pelos sítios como se por um espelho nunca cruzado e há nisso a sabedoria das nuvens que se olham uma vez por acaso e depois passam levadas pelos comboios e pelos balões das crianças e há nisso a tristeza dos balões dos adultos nas mãos das crianças ou ainda o vôo premeditado e as explicações que me dás e que são a parte mais fácil do mundo a consciência da vida é ficar ausente e dar pelas águas no pontão ...

Música

a medida do nosso mundo é uma carta que se esconde debaixo de um tapete persa é uma cauda de um cão animada por um instinto mais forte que um apito do barco no cais que as cordas que nos deixam nos braços defronte das velas eu entendo, à passagem nas ruas e ao olhar os casais que saem da ópera ou os homossexuais que discutem uma vida inacabada de outro alguém para tomar café o cheiro da maresia e não do café há a presença constante de uma cidade por entrar e uma hora para largar as peças do xadrez e dançar apenas como uma lamparina de azeite há aliás numa esquina que deixei algures inacabada na memória por um beijo nosso, e são tantos os que dariam para encher esta e outras cartas de um tempo marginal que hesita em destilar este quotidiano que separa a cor do vento nos panos um gesto onde depouso o meu instrumento musical na sombra fresca de um plátano ou será imaginado? porque é quase impossível o branco quando por dentro das nuvens cresc...