foi assim que cheguei à costa onde as baleias engolem os amigos para os sentirem por dentro a fazer cócegas em azul e a pintar nas paredes o seu entender das coisas a carvão seria isso o que desejaríamos para um dia sermos mais que um relógio a mergulhar e no regresso a remexer dunas como folhas perenes é uma opinião eu cresço para as aves de rapina e para estes dias debaixo dos cotovelos soprando a espuma da cerveja se queres saber não há como não ouvir vida fora sou um amolador a subir a calçada de Carriche ao fim do dia e passo pelos sítios como se por um espelho nunca cruzado e há nisso a sabedoria das nuvens que se olham uma vez por acaso e depois passam levadas pelos comboios e pelos balões das crianças e há nisso a tristeza dos balões dos adultos nas mãos das crianças ou ainda o vôo premeditado e as explicações que me dás e que são a parte mais fácil do mundo a consciência da vida é ficar ausente e dar pelas águas no pontão ...