é como a ausência de bandeiras
só cordas estendidas e água
o pêndulo do frio subitamente iluminado
como se um ganso pousasse ou este rapaz trouxesse
um objecto em fogo, é a língua
a cor é finalmente a pedra e o vidro é por excelência
hipocrisia e imitação da realidade
viver na rua é conhecer o nome às pessoas
pelo seu andar
anotar os seus hábitos com desdém pelo dobrar dos sinos
a cidade inteira é um desastre que se impede quando pronunciamos
as palavras interditas: qualquer vontade que tenhas meu irmão
os teus sonhos que sobressaem ao longo das noites
frente ao copo de cerveja o fumo a brasa ainda
próxima das faces dos amigos da tua própria
àquilo que desejas ligar, suster de uma armação invisível e amorosa
por dentro de uma caixa fechada que se chama escultura de ti próprio
uma imagem espelhada ou alma dos pássaros em volta
chega-se uma estrada que
passa pelo ridículo e outro lugar qualquer
senta-te comigo veste-te de pirata e escuta os metais nos telhados,
a matéria a rasgar-se e a despir-se de qualquer excedente luminoso
ser está fora de questão o dia imutável o vaso que greta a mão confiada
ser e não ser ao saltar o muro
a transparência de um caminho anónimo com graffitis no bolso
ser anda próximo de uma bancada de frutas e do poço da fome
a certeza de um endereço,
uma casa a quem nos podemos enviar do outro lado do mundo,
pela manhã
pode ser aqui uma nuvem
a intermitência entre o dia e a noite abraça-te
a ausentar-se de um descanso premeditado
a compreensão do mundo fragmenta-se de pedaços dispersos de conversas
no vão de uma escada, à boleia, no encontro casual dos kambas
debaixo de um telheiro à chuva
procurar é agarrar blocos de gelo convencido de uma suavidade imaginada
tudo se sucede numa prisão, isso é a idade, a tua
eu não sou
predominantemente sou
sento-me numa pedra fria à beira da água
mas sou uma casa imensa com um único quarto aquecido
habito outras divisões possivelmente sou um anfitrião ausente
e neva na ausência de pássaros
assim como existem montanhas quando se fala sobre estas ruas pela noite
as cordas tensas ou não deixam os dedos vagos
sobre panos ausentes é assim este passeio
só cordas estendidas e água
o pêndulo do frio subitamente iluminado
como se um ganso pousasse ou este rapaz trouxesse
um objecto em fogo, é a língua
a cor é finalmente a pedra e o vidro é por excelência
hipocrisia e imitação da realidade
viver na rua é conhecer o nome às pessoas
pelo seu andar
anotar os seus hábitos com desdém pelo dobrar dos sinos
a cidade inteira é um desastre que se impede quando pronunciamos
as palavras interditas: qualquer vontade que tenhas meu irmão
os teus sonhos que sobressaem ao longo das noites
frente ao copo de cerveja o fumo a brasa ainda
próxima das faces dos amigos da tua própria
àquilo que desejas ligar, suster de uma armação invisível e amorosa
por dentro de uma caixa fechada que se chama escultura de ti próprio
uma imagem espelhada ou alma dos pássaros em volta
chega-se uma estrada que
passa pelo ridículo e outro lugar qualquer
senta-te comigo veste-te de pirata e escuta os metais nos telhados,
a matéria a rasgar-se e a despir-se de qualquer excedente luminoso
ser está fora de questão o dia imutável o vaso que greta a mão confiada
ser e não ser ao saltar o muro
a transparência de um caminho anónimo com graffitis no bolso
ser anda próximo de uma bancada de frutas e do poço da fome
a certeza de um endereço,
uma casa a quem nos podemos enviar do outro lado do mundo,
pela manhã
pode ser aqui uma nuvem
a intermitência entre o dia e a noite abraça-te
a ausentar-se de um descanso premeditado
a compreensão do mundo fragmenta-se de pedaços dispersos de conversas
no vão de uma escada, à boleia, no encontro casual dos kambas
debaixo de um telheiro à chuva
procurar é agarrar blocos de gelo convencido de uma suavidade imaginada
tudo se sucede numa prisão, isso é a idade, a tua
eu não sou
predominantemente sou
sento-me numa pedra fria à beira da água
mas sou uma casa imensa com um único quarto aquecido
habito outras divisões possivelmente sou um anfitrião ausente
e neva na ausência de pássaros
assim como existem montanhas quando se fala sobre estas ruas pela noite
as cordas tensas ou não deixam os dedos vagos
sobre panos ausentes é assim este passeio
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