por dentro das casas eu vejo água negra o que me deixa sobressaltado as chamas à varanda fazem-me cantar ou será a sensação de uma carta que está esquecida lá fora fazem já alguns dias é como um vaso triste ou uma recordação de algo que nunca se possui mas que é óbvio e se senta numa qualquer prateleira esse é o efeito de não andar só de mãos no cigarro a cumprimentar os turcos nas praças, nem à boleia junto a uma berma enlameada há aliás um lugar que poderás reconhecer nisto um carrossel e esqueletos de animais em metal de onde se constroem as primeiras máquinas de ordenar os instantes da infância no sentimento civilizado de um adulto e eu ouço, é isso! um chamamento, de uma criança, por detrás destes tons espessos de cortinados de veludo, de um copo de absinto em cima de um piano confortavelmente de dentro à chuva ela pergunta-me da ausência do barco das 6 que me levará de volta onde se avistam os molhos de espigas e nas mãos dos homens uma garrafa ver...