não conseguir enfrentar uma terra branca é a atitude dos corajosos abandonar, resistir, enuncio bóias de sinalização, instantes avulsos, as conversas por dentro dos marcos de correio, os pés nus em frente ao mar, eu dentro de um barco, eu dentro de ti a encostar-me a um espelho se esta manhã de estradas e cortinas fosse um prato sobre o qual aquecemos as mãos abraçava-me a ti com as minhas carruagens como se nunca tivesse existido para lá de uma linha ou de uma âncora andar sobre a neve é o mesmo que atravessar o leito deste rio é o mesmo que interrogar o universo ou que falar de mim andar sobre folhas secas é provar uma romã e deixá-la sobre um banco na cidade dispersa andar na tua voz é o mesmo que esperar debaixo de uma varanda a chegada do autocarro num dia de chuva ou dormir na copa das árvores embrulhado em panos é andar no dorso dos peixes eu quero o cais – só preciso de um pano para me transformar sou um dia inteiro para despir árvores o meu nome é uma ponte que se olha depois ...