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Mensagens

A mostrar mensagens de abril, 2008

Fala

eu ouço dos aviões o chamamento das árvores como se fosse uma criança perdida num jardim a dançar e a dizer: "vou para casa" onde chego não encontro para além de círculos desenhados nas toalhas de mesa e o cheiro da cera vermelha quando dou a mão, falo com a mão quando te olho digo coisas mas por dentro como peixes e quando grito eu sou o cimo de uma montanha a passagem este instante eu prefiro inequivocamente os aviões aos pássaros eu prefiro correr atrás de uma bola que atrás de pássaros negar é uma tarde de sol a escrever num quarto uma tarde sol negar é dizer o que se vive de um mundo paralelo mas há fontes onde é impossível omitir peixes e cristais que se intersectam como mãos tingidas a cantar um trava-línguas o quotidiano é construído das margens onde os homens se abraçam carregados de instintos nas vozes há pontes sempre existiram durante curtos períodos que a torrente dilui ou simplesmente o tempo faz sobrepôr outra construção há ciclos na vida eu não os conheço mas ...

Ao balcão

há alturas em que a luz matinal me faz desenhar um cavalo de ferro isto é, inscrever nele as mãos em púrpura para seguir uma pista um rio de muitos fios dispersos mas por outras razões me fazem todos os dias trazer um passe social e um diário debaixo do braço e as palavras trocadas tal como uma praceta trazem o sabor do peixe e o cheiro de amêndoas mas sem conhecerem o que é uma duna ou terem pisado a lua no Verão as palavras são fugazes como um cimbalino mas anunciam-se como engrenagens gastas ou simplesmente descuidadas mesmo que nelas se resuma uma vontade de não ser assim