eu ouço dos aviões o chamamento das árvores como se fosse uma criança perdida num jardim a dançar e a dizer: "vou para casa" onde chego não encontro para além de círculos desenhados nas toalhas de mesa e o cheiro da cera vermelha quando dou a mão, falo com a mão quando te olho digo coisas mas por dentro como peixes e quando grito eu sou o cimo de uma montanha a passagem este instante eu prefiro inequivocamente os aviões aos pássaros eu prefiro correr atrás de uma bola que atrás de pássaros negar é uma tarde de sol a escrever num quarto uma tarde sol negar é dizer o que se vive de um mundo paralelo mas há fontes onde é impossível omitir peixes e cristais que se intersectam como mãos tingidas a cantar um trava-línguas o quotidiano é construído das margens onde os homens se abraçam carregados de instintos nas vozes há pontes sempre existiram durante curtos períodos que a torrente dilui ou simplesmente o tempo faz sobrepôr outra construção há ciclos na vida eu não os conheço mas ...