o rio volta pela mesma rua em que nos encontramos e leva com ele um navio ou uma criança as coisas simples quer delas prescindamos quer prefiras o cheiro do fundo do mar algures numa costa perdida para o mundo vêm sempre no bolso dos calções de uma criança ou no apito do oficial de dia mas nenhuma habita este lugar de retorno como se das memórias de um elefante escolhêssemos algumas a vulso consoante a cor ou a reminiscência de uma passagem do vento no renque de laranjeiras na nossa rua noutras ruas somos sempre a imagem de um outro vôo apenas ensaiado mas não é isso que queremos: dentro há rumores passagens de carros na noite uma colher enegrecida de açúcar e limão o encostar a cabeça num torso e sempre o pó, a ambiguidade de uma vida feita uma desistência ou ainda um lugar certo demais como uma paragem da carreira eu espero por ti desde o início da tarde para te dizer coisas bonitas e o dia tem nele o cheiro das frutas da mercearia na esquina a farinha que sobra do pão os tons das sa...