a tua vida pode ser a qualquer instante uma pedra uma tesoura cravada numa árvore o som oco de um barco que atraca ao final da tarde ou uma paisagem propícia a tua vida é afinal um oceano ou um fóssil? nos dedos verdes de um presságio pode ou não passear-se um cisne um camelo ou um passageiro apressado por chegar ao deserto onde se deixam as bandeiras a falar umas com as outras de anéis mundos invisíveis que na língua teimam em não mergulhar por isso eu te pergunto se a tua vida é navegável numa tarde soalheira e se encontras nela a mentira e o perigo que há no fundo de um mar ou deixas invernecer os anéis pousados na conversa dos outros e no fumo enquanto escrevo envelheço, não há melhor maneira de procurar os amigos que no silêncio da fogueira eu ouço um erhu eu visito as cidades a oriente com o desinteresse de um rio mas sento-me no chão dos bairros com lamparinas e um copo de vinho canto, isto é, extingo a voz na tua garganta e as línguas são recortadas e queimam nos ramos este out...