à noite subimos sempre para uma escada uma memória ou um nicho num bairro pobre desta cidade e entramos nas casas velhas como se a elas pertencessemos e vamos de mota na estrada vento no rosto a avançar devagar os dedos sobre os dedos a pele como a de um réptil à chuva e a vontade de nos evadirmos num mar quase indomável e estranho parece que o que trazemos por dizer é um jogo de xadrez um fundo de rio vermelho onde os barcos são levados em línguas de feras e de fogo e tudo é agora relativo e espontâneo e sinto o mar chão a escapar-se-me e eu a correr para entrar num quarto que se apagou e ficou frio antes de me deitar ao teu lado depois de uma demanda mas não pode ser assim não há como dizer destas noites aqui ou noutra cidade a língua é sempre incompreensível os passos circundantes dos mesmos personagens que falam de si mesmo apenas lentos e desconfiados seguros de um niilismo de remos que não se plantam nas águas os véus pretos das mulheres tornam-se um desafio irónico ao tempo e à ...