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Mensagens

A mostrar mensagens de agosto, 2007

Agosto (vento no rosto)

à noite subimos sempre para uma escada uma memória ou um nicho num bairro pobre desta cidade e entramos nas casas velhas como se a elas pertencessemos e vamos de mota na estrada vento no rosto a avançar devagar os dedos sobre os dedos a pele como a de um réptil à chuva e a vontade de nos evadirmos num mar quase indomável e estranho parece que o que trazemos por dizer é um jogo de xadrez um fundo de rio vermelho onde os barcos são levados em línguas de feras e de fogo e tudo é agora relativo e espontâneo e sinto o mar chão a escapar-se-me e eu a correr para entrar num quarto que se apagou e ficou frio antes de me deitar ao teu lado depois de uma demanda mas não pode ser assim não há como dizer destas noites aqui ou noutra cidade a língua é sempre incompreensível os passos circundantes dos mesmos personagens que falam de si mesmo apenas lentos e desconfiados seguros de um niilismo de remos que não se plantam nas águas os véus pretos das mulheres tornam-se um desafio irónico ao tempo e à ...

Superficie

Moinho

quero uma pá de encontrar tesouros para fazer um moinho onde pendurar cores de um pano antigo como usam as florestas antes da tempestade pouco me interessa se quando a noite vem somos encontrados no pontão ainda a soprar nuvens para dentro de garrafas alguma delas trará o acorde certo e as nossas cabeças repousarão junto às dos putos que dormem pendendo dos martelos de um piano ou da impressão dos passos em falso dos tablini blini nós nunca falamos da idade que temos nós nunca falamos da idade que temos e somos tão verdadeiros quanto o aceitamos da terra nos nossos pés nós nunca falamos eu sei, de algumas vilas em que dormi como o calor vem em ripas de junco ou no silvado ou nos cacos multicor de vidro que nos tocam a pele como uma harpa ou uma língua áspera e é tão simples que parece estúpido nunca mais o escrever e o que parece é uma oferta isto é a passagem de um insecto ou a noite nas asas da borboleta que nos cobre a face se hesitamos em sonhar até quando dirás tu que assim tem d...