“Pertencemos a vários mundos mas o nosso quotidiano é a fuga a todos eles para construir uma ideia vã de lealdade, uma desculpa que nos conforte da perda de não nos fixarmos em nenhum lugar”, dizia-me a Xana, ontem. “Só podemos pertencer a um sítio: um sofá, onde casualmente nos sentamos sem compromisso algum”, acrescentava. “Se te ligas a alguém, a uma rotina, a um ideal, não podes mais ser tu, entendes? É como se o fatídico rumo do teu nome se revelasse afinal uma crise de indentidade irresolúvel, desinteressante, que se deixa de buscar e se delega. Passa tudo a ser um jogo que no marasmo do ócio parece ganhar um sentido enigmático, mas não é mais que isso”. “Estás-me a dizer que eu sou um desses enigmas? Mais um jogo de ócio?” perguntei-lhe de olhos fitos nas mangas roídas de um dos empregados que desesperava perante mais um pico de pedidos de bicas, tremoços e scones. “Sim, tu o assumes quando me dizes que estás comprometido com um idealismo que achas que deve moldar este projecto...