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Ao balcão

há alturas em que a luz matinal
me faz desenhar um cavalo de ferro
isto é, inscrever nele as mãos em púrpura para seguir uma pista
um rio de muitos fios dispersos
mas por outras razões me fazem
todos os dias
trazer um passe social e um diário debaixo do braço
e as palavras trocadas
tal como uma praceta
trazem o sabor do peixe e o cheiro de amêndoas
mas sem conhecerem o que é uma duna
ou terem pisado a lua no Verão
as palavras são
fugazes como um cimbalino
mas anunciam-se como engrenagens
gastas ou
simplesmente descuidadas
mesmo que nelas se resuma uma vontade
de não ser assim

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