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fui

o barco que me bolina
a conversa por terminar na estação
avança
nos cantos de panfletos improvisámos números
pressas e alguns esboços por secar
recados a vulso que podiam ser apenas pássaros espantados a sobrevoar
o campo fugindo da caverna
ou uma alegoria de inverno menos inocente
olho as cadeiras onde dormem, folheiam uma vida que não é deles aqui
os transeuntes
as ondas de um lugar longínquo onde os braços se salgam
as cabeças encostadas numa boleia que dá pouca conversa
até chegarmos onde no meio ao sol
um espantalho segura pincéis que pingam
e desvia arbitrariamente as nossas atenções
porque quando me virei a primeira vez
estavas lá segurando a corda
e quando nos procurámos depois
a multidão esta
dispersa por lugares vazios respirando instantes ausentes
uma outra sala
um dia que espera um outro dia
sem valer a pena mencioná-lo
o que conta é o ar
por quanto tempo não sei
e o barco quer bem
e avança

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