foi assim que cheguei à costa onde as baleias
engolem os amigos para os sentirem por dentro
a fazer cócegas em azul
e a pintar nas paredes o seu entender das coisas
a carvão
seria isso o que desejaríamos para um dia sermos mais
que um relógio a mergulhar
e no regresso
a remexer dunas
é uma opinião
eu cresço para as aves de rapina
e para estes dias debaixo dos cotovelos
soprando a espuma da cerveja
se queres saber não há
vida fora sou um amolador a subir a calçada de Carriche ao fim do dia
e passo pelos sítios
e há nisso a sabedoria das nuvens
que se olham uma vez por acaso e depois passam
levadas pelos comboios e pelos balões das crianças
e há nisso a tristeza dos balões dos adultos nas mãos das crianças
ou ainda o vôo premeditado e as explicações que me dás e
que são a parte mais fácil do mundo
a consciência da vida é ficar ausente
e dar pelas águas no pontão após uma hora de conversa
na escada à qual nos encostámos
sem sequer pensar em subir para colher as cerejas de um planeta exterior
para eu sorrir
a fuga que nos dedos dura uns instantes
mas é afinal um poço denso onde insistimos em permanecer
a maior parte do tempo – pode tornar-se uma pátria
se não fazemos por crescer para os absurdos e largar de volta a nossa ambição
é Junho finalmente
(é no fundo o que quero dizer)
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