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June (68)

foi assim que cheguei à costa onde as baleias

engolem os amigos para os sentirem por dentro

a fazer cócegas em azul

e a pintar nas paredes o seu entender das coisas

a carvão

seria isso o que desejaríamos para um dia sermos mais

que um relógio a mergulhar

e no regresso

a remexer dunas como folhas perenes

é uma opinião

eu cresço para as aves de rapina

e para estes dias debaixo dos cotovelos

soprando a espuma da cerveja

se queres saber não há como não ouvir

vida fora sou um amolador a subir a calçada de Carriche ao fim do dia

e passo pelos sítios como se por um espelho nunca cruzado

e há nisso a sabedoria das nuvens

que se olham uma vez por acaso e depois passam

levadas pelos comboios e pelos balões das crianças

e há nisso a tristeza dos balões dos adultos nas mãos das crianças

ou ainda o vôo premeditado e as explicações que me dás e

que são a parte mais fácil do mundo

a consciência da vida é ficar ausente

e dar pelas águas no pontão após uma hora de conversa

na escada à qual nos encostámos

sem sequer pensar em subir para colher as cerejas de um planeta exterior

como se chovesse torrencialmente sobre mim carregado

para eu sorrir

a fuga que nos dedos dura uns instantes

mas é afinal um poço denso onde insistimos em permanecer

a maior parte do tempo – pode tornar-se uma pátria

se não fazemos por crescer para os absurdos e largar de volta a nossa ambição

é Junho finalmente

(é no fundo o que quero dizer)

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