o campo amarelo finalmente
e depois?
dentro do meu barco vivem cães e atrás de uma pergunta
estão os dedos
e tábuas brancas por debaixo
e um sol roxo ao qual sou
indiferente
o que se encontra se não pararmos nunca junto às fontes e,
ao mesmo tempo o que está por vir se não pararmos nunca junto às fontes
e ainda o sentido absoluto de uma flor no meio do campo amarelo
porque há duas formas de perder um rasto e eu já experimentei pelo menos três
içar as velas com garfos e deixar que a noite me cubra as mãos de cera quente
como se uma aranha me esculpisse os membros de um afia lápis de cor
e nas aparas estas palavras
e antes há uma cara e depois a mesma cara
mas que já não está nesse sítio a que se retorna
e se procura ou simplesmente não percebes?
quando me debruço sobre a terra ou sobre um passeio me deito
ao lado de um grande canal a escutar rock‘n’roll
há um instante em que estou em vários sítios em simultâneo como se fosse possível
ver as coisas
e amar o que está longe e tocar por dentro a casa habitada com a língua
as sombras, as migalhas e os copos baços do vinho
e latidos a escapar por detrás de móveis onde para sempre ficam esferas de vidro
à espera que se lhe juntem outras esferas de vidro
quando nascem
os primeiros passos
por isso em redor de um campo onde uma multidão grita para um amarelo gratuito
há um devir mortal e irónico
o mesmo que encontro quando dos sentamos encharcados
no sabor do sal
quando ouço a pergunta
na boca das crianças que se deixaram envelhecer
e insistem que sempre estará aqui
por dentro
esta cor enrola¬-se como um novelo num fim de tarde
junto a um coração ou a um punhado de terra
que lanço ao ar enquanto dançamos virados para a lua
e eu desço
eu desço intensamente à prova de decisões finais
eu adio ternamente o que não está para ser amarelo agora mesmo que
já tenha passado por aqui antes
ou não
e depois?
dentro do meu barco vivem cães e atrás de uma pergunta
estão os dedos
e tábuas brancas por debaixo
e um sol roxo ao qual sou
indiferente
o que se encontra se não pararmos nunca junto às fontes e,
ao mesmo tempo o que está por vir se não pararmos nunca junto às fontes
e ainda o sentido absoluto de uma flor no meio do campo amarelo
porque há duas formas de perder um rasto e eu já experimentei pelo menos três
içar as velas com garfos e deixar que a noite me cubra as mãos de cera quente
como se uma aranha me esculpisse os membros de um afia lápis de cor
e nas aparas estas palavras
e antes há uma cara e depois a mesma cara
mas que já não está nesse sítio a que se retorna
e se procura ou simplesmente não percebes?
quando me debruço sobre a terra ou sobre um passeio me deito
ao lado de um grande canal a escutar rock‘n’roll
há um instante em que estou em vários sítios em simultâneo como se fosse possível
ver as coisas
e amar o que está longe e tocar por dentro a casa habitada com a língua
as sombras, as migalhas e os copos baços do vinho
e latidos a escapar por detrás de móveis onde para sempre ficam esferas de vidro
à espera que se lhe juntem outras esferas de vidro
quando nascem
os primeiros passos
por isso em redor de um campo onde uma multidão grita para um amarelo gratuito
há um devir mortal e irónico
o mesmo que encontro quando dos sentamos encharcados
no sabor do sal
quando ouço a pergunta
na boca das crianças que se deixaram envelhecer
e insistem que sempre estará aqui
por dentro
esta cor enrola¬-se como um novelo num fim de tarde
junto a um coração ou a um punhado de terra
que lanço ao ar enquanto dançamos virados para a lua
e eu desço
eu desço intensamente à prova de decisões finais
eu adio ternamente o que não está para ser amarelo agora mesmo que
já tenha passado por aqui antes
ou não
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