há sempre essa folha caída, esse barco que te espera
para cobrir uma vida suplente
é um binóculo atrás da parede um jogo que te faz
pensar duas vezes antes de mergulhares as mãos numa arca de pó
conheces bem o que te digo neste momento
enquanto nos sentamos sobre o tapete vendo o gelo a derreter em
e a deixar pessoas minúsculas felizes e em posições obtusas
próprias de mecanismos hibernantes
num qualquer diário do Leonardo da Vinci
ou seja, um quadro no museu do Prado
escuta este convite
é nessas mãos que está escrito e é difícil repeti-lo
a cravar agulhas nos frutos ausentes do verão
é isso um osso
eu sei que escutas esta mesma música e que pegas finalmente na história
que temos para contar
e partes, de novo, de encontro ao sal
nos olhos junto à estrada
e pintas de carvão a pele para que não se esqueça a montanha
nem tu do que se escuta ao tocar por dentro os astros
impossíveis de alcançar ao fim da tarde
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