revolta pelo vento que traz folhas roxas algumas estrelas em malas furadas
e gatos impossíveis
daqueles que escolhemos para falar de uma frincha na porta
de Inverno como se picássemos uma preguiça com uma espiga
que um outro tempo deixou esquecida num barco ou num livro,
nos teus cabelos, percebo eu, aquilo que se reecontra quando pegamos novamente
em malas e em copos que se precipitam cedo demais
na fractura inevitável do quotidiano ou ainda sob uma varanda e em volta
aguaceiros
o que pode ser sempre trocado por um balão ao qual nos abraçamos
com pastel azul que se vai gastando nos nossos dedos
ao longo de uma linha imaginária que um deserto conquista
e preserva – é assim que nos distinguiremos daqui a alguns anos
quando enfrentarmos uma outra cidade e um grupo de mulheres que se aproximam
falando uma língua estrangeira
com óleos e ramos frescos
vem novamente o tempo
vem com ele um arder de candeeiro na neve
ou um rasgão distraído e bruto numa terra onde encontramos uma nova pátria
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