não conseguir enfrentar uma terra branca é a atitude dos corajosos
abandonar, resistir,
enuncio bóias de sinalização, instantes avulsos, as conversas por dentro
dos marcos de correio,
os pés nus
em frente ao mar, eu dentro de um barco, eu dentro de ti a encostar-me
a um espelho
se esta manhã de estradas e cortinas fosse um prato
sobre o qual aquecemos as mãos
abraçava-me a ti com as minhas carruagens como se nunca tivesse existido
para lá de uma linha ou de uma âncora
andar sobre a neve é o mesmo que atravessar o leito deste rio é o mesmo que interrogar o universo
ou que falar de mim
andar sobre folhas secas é provar uma romã e deixá-la sobre um banco
na cidade dispersa
andar na tua voz é o mesmo que esperar debaixo de uma varanda
a chegada do autocarro num dia de chuva ou dormir na copa das árvores
embrulhado em panos
é andar no dorso dos peixes
eu quero o cais – só preciso de um pano para me transformar
sou um dia inteiro para despir árvores
o meu nome é uma ponte que se olha depois de atravessada
sou um barco intenso cor de laranja e revolvo em torno raízes púrpura
o meu andar é um mergulho irrepetível no centro da terra
e trago na voz os acenos quentes dos patos bravos sobre a casa reencontrada
o linho, o azeite, o pão, os pés frios
conheço o fim que povoa a dúvida das montanhas e das bibliotecas
nasci numa rua onde os peixes são verdes e os planetas se encostam ao muro
exaurindo vulcões
os meus dedos são e só podem ser agulhas que pendem de uma alma distante
como um amigo ou um palhaço
quando se chegam da cerca como se se escondessem numa fogueira seca
ou se abandonassem na estrada
retraem-se dos corpos avulsos que discutem entre si
cheiram a lã e mostram uma vela ou uma vida imaginada
o tempo ri-se em cornucópias que se extinguem já
eu só quero essa vela até ao fim
que lembra a vida dos insectos e dos meus antepassados
eu sou a criação e o fruto
e sento-me em frente a esta viagem sentindo os aviões ou o chamar das cartas escritas
que inunda o esquecimento de desenhos e flores secascanções infantis
abandonar, resistir,
enuncio bóias de sinalização, instantes avulsos, as conversas por dentro
dos marcos de correio,
os pés nus
em frente ao mar, eu dentro de um barco, eu dentro de ti a encostar-me
a um espelho
se esta manhã de estradas e cortinas fosse um prato
sobre o qual aquecemos as mãos
abraçava-me a ti com as minhas carruagens como se nunca tivesse existido
para lá de uma linha ou de uma âncora
andar sobre a neve é o mesmo que atravessar o leito deste rio é o mesmo que interrogar o universo
ou que falar de mim
andar sobre folhas secas é provar uma romã e deixá-la sobre um banco
na cidade dispersa
andar na tua voz é o mesmo que esperar debaixo de uma varanda
a chegada do autocarro num dia de chuva ou dormir na copa das árvores
embrulhado em panos
é andar no dorso dos peixes
eu quero o cais – só preciso de um pano para me transformar
sou um dia inteiro para despir árvores
o meu nome é uma ponte que se olha depois de atravessada
sou um barco intenso cor de laranja e revolvo em torno raízes púrpura
o meu andar é um mergulho irrepetível no centro da terra
e trago na voz os acenos quentes dos patos bravos sobre a casa reencontrada
o linho, o azeite, o pão, os pés frios
conheço o fim que povoa a dúvida das montanhas e das bibliotecas
nasci numa rua onde os peixes são verdes e os planetas se encostam ao muro
exaurindo vulcões
os meus dedos são e só podem ser agulhas que pendem de uma alma distante
como um amigo ou um palhaço
quando se chegam da cerca como se se escondessem numa fogueira seca
ou se abandonassem na estrada
retraem-se dos corpos avulsos que discutem entre si
cheiram a lã e mostram uma vela ou uma vida imaginada
o tempo ri-se em cornucópias que se extinguem já
eu só quero essa vela até ao fim
que lembra a vida dos insectos e dos meus antepassados
eu sou a criação e o fruto
e sento-me em frente a esta viagem sentindo os aviões ou o chamar das cartas escritas
que inunda o esquecimento de desenhos e flores secascanções infantis
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