Assim descrevo eu a noite: é a boca de um menino
Habitada por um mindalim-dalim e uma semente
E o mindalim-dalim rodeia a semente remexendo tábuas
À superfície do tempo, fazendo o barulho de gotas no fundo de um copo
Cheirando a limão, vestindo vermelho
E enredando-se nas mãos dos peixes que passam
A caminho da janela
A semente está sentada e remenda a pele de um tambor
Como se pousasse as mãos nas águas e contém-se
Não as estica para que as estrelas que pendem dos animais adormecidos
Possam caminhar até ao estrangeiro
E o mindalim-dalim caminha com elas
Com as patas na face de umas e nas pernas de outras rodopiando
Como se fosse mil gotas de um chuveiro
E quando canta a terra é húmida e quando fala
À semente diz-lhe apenas, «O teu menino vai longe,
Vai muito longe»,
Como se a boca fosse um submarino
Ou um balão
À deriva por dentro de grutas e fontes
E a semente remenda os cardumes que passam sentada
À janela.
Habitada por um mindalim-dalim e uma semente
E o mindalim-dalim rodeia a semente remexendo tábuas
À superfície do tempo, fazendo o barulho de gotas no fundo de um copo
Cheirando a limão, vestindo vermelho
E enredando-se nas mãos dos peixes que passam
A caminho da janela
A semente está sentada e remenda a pele de um tambor
Como se pousasse as mãos nas águas e contém-se
Não as estica para que as estrelas que pendem dos animais adormecidos
Possam caminhar até ao estrangeiro
E o mindalim-dalim caminha com elas
Com as patas na face de umas e nas pernas de outras rodopiando
Como se fosse mil gotas de um chuveiro
E quando canta a terra é húmida e quando fala
À semente diz-lhe apenas, «O teu menino vai longe,
Vai muito longe»,
Como se a boca fosse um submarino
Ou um balão
À deriva por dentro de grutas e fontes
E a semente remenda os cardumes que passam sentada
À janela.
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